Reflexão

UM NOVO TEMPO NO ESPÍRITO

Por Michelle Moran

 

Como  Presidente do ICCRS, sou frequentemente solicitada a partilhar algo sobre a realidade presente na RCC no mundo e para onde eu vejo que o Senhor está nos conduzindo no futuro. Em Apocalipse 2,7, há um encorajamento que diz “Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. Mas o que o Espírito Santo está dizendo para nós, da RCC, hoje em dia? “Este ano (2009) marca o 50º Aniversário de quando o Papa João XXIII rezou sua famosa oração “Renova suas maravilhas em nosso tempo como um Novo Pentecostes”. A oração foi  acompanhada pelo encorajamento a nos unirmos aos discípulos em oração constante (At 1,14).

Ao mesmo tempo em que a Igreja estava sendo renovada através do Vaticano II, vimos a Renovação Carismática Católica emergir nos Estados Unidos.  Aqueles primeiros anos foram caracterizados por uma nova liberdade no Espírito. Houve conversões profundas e vidas foram mudadas à medida que as pessoas recebiam o batismo no Espírito Santo e entravam em “um relacionamento pessoal” com Jesus.

Quando os Israelitas foram libertos da escravidão do Egito, eles foram liberados para dentro do deserto onde permaneceram 40 anos. Esta foi o local de seu treinamento e formação. Durante este tempo, algumas pessoas se afastaram, ou por causa do pecado, ou pela falta de perseverança ou por outras distrações. Temos visto isto na RCC durante nossa breve história de 40 anos. Após o deserto, o Senhor os conduziu para as margens do rio Jordão, onde eles puderam ver a Terra Prometida. Sinto que é aqui que estamos neste momento. Estamos no limiar de um novo tempo do Espírito. Precisamos nos preparar para atravessar o Jordão, entrar e tomar posse da terra que o Senhor nos prometeu.

A fim de abraçar o novo tempo, precisamos ser pessoas de visão para continuarmos a crescer e caminhar para frente. Provérbios 29, 18 têm várias traduções, como pro exemplo: “por falta de visão, o povo perece”. A RCC está crescendo ou morrendo. Não podemos ficar parados. Em algumas partes do mundo, a Renovação é dinâmica e vibrante. Eu ainda tenho muitas lembranças boas da conferência do ICCRS “Amor em Ação” na Coréia do Sul. A RCC, naquela nação é uma forte corrente de graça fluindo a partir de seu comprometimento profundo com a oração de intercessão. Esta graça pode ser vista por meio da missão que o Espírito Santo colocou em seus corações e há muitos projetos e serviços assumidos pelos membros da Renovação. Em contraste a isto, em algumas partes do mundo parece que a Renovação está perecendo. Ficou velha e cansada e as pessoas parecem passar mais tempo nostalgicamente olhando para trás, para o que o Senhor fez no passado, ao invés de olhar para as novas coisas que o Senhor tem reservado para eles.

Outra tradução do versículo diz: “Por falta de visão, o povo torna-se rebelde”. Nos primeiros dias da RCC, vimos o Senhor fazer maravilhas em nosso meio. Graças a Deus isto ainda está acontecendo em muitos lugares. Penso no corajoso projeto de evangelização acontecendo no Amazonas e nas criativas ações para engajar estudantes universitários que estão sendo empreendidas pela RCC no Brasil. Entretanto, ao invés de nos colocarmos profundamente nas mãos do Senhor, temos muitas vezes nos tornado rebelde, assumindo controle das coisas e fazendo-as à nossa maneira. Isto bloqueia o Espírito Santo e falhamos em fazermos Sua vontade perfeita. Como São Paulo advertiu aos Gálatas “Depois de terdes começado no Espírito, quereis agora acabar pela carne?” (Gl 3,3).

Uma tradução de provérbios 29,18 diz; “Por falta de visão, o povo vive sem freios”. Parece-me que quando não temos orientação para o futuro, as coisas tornam-se rançosas e acabamos olhando para dentro de nós mesmos, fazendo com que nossa energia seja desviada. Como conseqüência, podemos começar a competir, julgar ou criticar outros grupos e realidades na Renovação. Por que há tantas tensões, divisões e problemas de relacionamento na RCC, quando uma das principais características do Espírito Santo é a unidade? Pode-se ver claramente que há necessidade de arrependimento e reconciliação. Nosso orgulho e nosso comportamento briguento e imaturo têm feito com que todo o corpo torne-se mais fraco. Devemos pedir perdão ao Senhor e pedir-Lhe também que mude os nossos corações. Então poderemos prosseguir nossa caminhada com visão na unidade.

Sinto que, neste tempo de transição, há um chamado muito forte para uma intercessão profunda. Muitas batalhas são vencidas pela oração. Através de intercessão, Deus pode mudar o destino de uma nação. Ele pode nos dar a visão interior, a coragem e a habilidade para agir decisiva e estrategicamente para que Seu Reino prossiga. À medida que caminhamos para o jubileu de ouro a RCC, em 2017, precisamos ser guiados passo a passo.

Portanto, o ICCRS está organizando o evento de intercessão “a estrada para Pentecostes”, a realizar-se em Assis, de 19 a 23 de maio de 2010. Assim como Josué, precisamos ter fé e confiança para clamar pela herança que é nossa e desfazer o trabalho do inimigo. Esteja pronto para abraçar este novo tempo com coragem e entusiasmo. Nosso Deus está fazendo coisas novas e nós precisamos estar abertos para as surpresas do Espírito.

 

Boletim do ICCRS (Outubro- Dezembro 2009)

ICCRS- International Catholic Charismatic Renewal Services (Servindo a Renovação Carismática  na Igreja Católica).

 

 

A RCC, um Movimento da Igreja ou uma Torrente de Graça?

Por Maria Eugenia de Gongora

 

Em Atos dos Apóstolos, encontramos a confirmação de como a Igreja tem sido revitalizada através da ajuda do Espírito Santo desde o início de sua vida. As primeiras comunidades, nas quais a “alegria e singeleza de coração” (At 2, 46) reinavam, eram ricas em dinamismo, abertura e zelo missionário. Estas comunidades partilhavam o partir do pão em amor fraternal, iluminadas pela Palavra, servindo uns aos outros com humildade mútua – e eram um testemunho autêntico que atraía a admiração daqueles que observavam os discípulos - estimulando em muitos o desejo pela conversão e por partilhar este novo estilo de vida. O Evangelho de São João nos oferece uma fotografia desta nova família espiritual dedicada a amar “Amai-vos uns aos outros, como eu vos tenho amado” (Jo 13, 34).

Estes irmãos daquele tempo testemunharam o poder e a eficácia da Palavra: curas, libertações, sinais e prodígios aconteceram em abundância. Nesta atmosfera, era normal viver sob a vigorosa ação de Deus, que produzia coragem renovada diante das perseguições, inspirando um amor profundo e crescente; e tudo isto era o fruto da Sua presença. Em Atos 1, 8, há uma referência específica à promessa de Jesus referente à efusão do Espírito e aos resultados maravilhosos de Sua ação em nossos irmãos daquele tempo. É certo, portanto, esperar que esta ação continuará a operar na Igreja de hoje também: toda a Igreja deve ser renovada.

Quando comparamos as primeiras comunidades de cristãos às de hoje, compreendemos que algo do amor e da intensidade daquele tempo foi perdido, provavelmente como consequência de termo-nos tornado mais burgueses e egoístas. A predisposição autêntica para com o ideal espiritual foi progressivamente diluída e substituída por um ceticismo frio que entorpece, limita e congela e, em seu pior estágio, mata. Não deveríamos talvez renovar nossa fé na promessa de Jesus que nos enviou Seu Espírito Santo no início da história da Igreja, assegurando-nos também: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 20)? Vimos estas palavras de Jesus se tornarem realidade em diferentes fases da história da Igreja, particularmente em momentos difíceis devido a conflitos e situações que fizeram parecer que o barco de Pedro havia afundado: a ajuda divina nunca falhou e sempre estimulou novos dons espirituais através da renovação do impulso do Espírito. Hoje também somos atores e protagonistas de uma ação renovadora poderosa na Igreja, vivendo em uma “torrente de graça” abençoada que leva o nome de Renovação Carismática, um novo convite do Senhor para um Cristianismo que se manifesta através de sinais e comportamentos evidentes, o fruto de nossa abertura à maravilhosa ação do Espírito. Esta torrente renovadora envolve toda a Igreja: não podemos reduzi-la a um simples “Movimento” ou “Associação”; é um sopro poderoso do Espírito que queima na Igreja para nos tirar de nossa indiferença e torpor. Devemos recuperar este tipo de experiência, típica das primeiras comunidades cristãs, confirmando assim o que Jesus prometeu: “Aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores que estas, porque vou para junto do Pai” (Jo 14, 12).

Para aqueles que dizem que a RCC passará, podemos responder com convicção de que isto não acontecerá: a Igreja, em toda a sua história, sempre recebeu do Espírito um sopro renovador em resposta às necessidades do mundo em cada era... e assim será no futuro” Obviamente, a fim de colaborar com esta “torrente de graça” neste período da história, também necessitamos de estruturas que possam garantir um serviço adequado à Igreja e à sociedade. Com este propósito a Igreja, em sua sabedoria, considera esta “torrente de graça carismática” também como um “Movimento Eclesiástico”, canonicamente reconhecido e aprovado. Assim o Santo Padre, João Paulo II, falou em sua mensagem aos Movimentos da Igreja e às Novas Comunidades na véspera de Pentecostes de 1998 (30 de maio) na Praça de São Pedro: “É a partir desta redescoberta providencial da dimensão carismática da Igreja que, tanto antes como depois do Concílio, aconteceu uma linha singular de desenvolvimento dos Movimentos da Igreja e de Novas Comunidades”. O termo “Movimento”, portanto, se refere às entidades que frequentemente são diferenciadas umas das outras, mesmo em sua forma canônica. Este termo não é uma definição rígida, nem tampouco expressa, de forma plena, a riqueza das formas que surgem da criatividade do Espírito de Cristo que traz vida. Além disso, também indica uma entidade eclesiástica concreta formada principalmente por leigos e leigas e que consiste na fé e no testemunho Cristão que baseiam a razão de sua existência em um carisma específico concedido ao seu próprio fundador em circunstâncias específicas e através de métodos específicos. É o Espírito que funda e dá identidade à RCC. Não temos dúvida quando afirmamos que é Ele que guia a RCC no caminho que a levou a ser aprovada pela Igreja através do reconhecimento papal dos estatutos e serviços do ICCRS, em 14 de setembro de 1993, durante a Festa da Exaltação da Cruz. Não podemos deixar de salientar que estes estatutos têm ajudado muitos países na elaboração de seus próprios estatutos, capacitando  muitas comunidades locais da RCC a desempenhar fielmente tanto a missão de evangelização  - através do testemunho do amor fraternal que Jesus nos ensinou – e da difusão e promoção da “Cultura de Pentecostes”, tão ardentemente desejada por nossos amados Papas João Paulo II e Bento XVI.  Afirmar, portanto, que a RCC é uma “torrente de graça” não é uma contradição ao fato dela ser um “Movimento”. É, de fato, um movimento.... do Espírito Santo. Daí que, queridos irmãos e irmãs, convidamo-os para que, com Espírito renovado,  deixem-se ser preenchidos pela graça divina a fim de viver e servir a Igreja fundada por Jesus: a Igreja de ontem, de hoje e de todos os tempos;  a Igreja que Jesus confiou à ação santificadora do Seu Espírito!

Fonte:

Site RCC Brasil/Formação - Por Maria Eugenia de Gongora Membro do Conselho do ICCRS